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Noticias de Autopress Brasil - Año 2009
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Mayo 2009
Semana del 05 al 12 de Mayo.
Fiat Punto T-Jet 1.4 16V
Fiat Punto T-Jet 1.4 16V
Fiat Punto T-Jet 1.4 16V
Fiat Punto T-Jet 1.4 16V
Fiat Punto T-Jet 1.4 16V
Fiat Punto T-Jet 1.4 16V
Fiat Punto T-Jet 1.4 16V

Teste: Fiat Punto T-Jet 1.4 16V - Fotos: Luiza Dantas / Carta Z Notícias.

Efeito T
Com desempenho à altura de seu design, versão T-Jet cumpre a promessa esportiva da linha Punto

por Julio Cabral / Auto Press

Versões mais esportivas funcionam quase sempre como chamariz de uma linha de automóveis. No caso do Fiat Punto T-Jet, lançado há dois meses pela marca italiana, a ideia é emprestar à linha de compactos uma aura de esportividade e desempenho, características que antes ficavam apenas na aparência. E o “carro de imagem” já influi no volume de vendas ao Punto que, de março para cá, voltou a emplacar médias superiores a 2 mil unidades mensais – volume que não atingia desde novembro do ano passado. Mas são números ainda distantes do “semestre glorioso” da indústria automotiva brasileira – de março a agosto de 2008 –, quando o Punto alcançava quase o dobro das vendas atuais. Segundo dados do fabricante, o T-Jet responde atualmente por 7,5% das vendas do hatch, cerca de 150 modelos mensais. Um número restrito explicado pelo preço, que parte de altos R$ 59.500, e pelo atraso alegado pelo fabricante entre as encomendas do motor – importado da Itália – e a entrega na linha de montagem, em Betim.
O motor é, indiscutivelmente, a maior novidade do modelo. Trata-se do Fire 1.4 16V italiano, com turbocompressor de 1.0 bar de pressão e intercooler, capaz de atingir 152 cv de potência a 5.500 rpm e 21,1 kgfm de torque entre 2.250 rpm e 4.500 rpm. A “cavalaria” carrega cerca de 8 kg/cv, uma relação peso/potência bem favorável. Ao contrário das outras opções de propulsores da linha, o motor importado não é flex – roda apenas a gasolina. Além da usina de força, o modelo passou por outras alterações mecânicas. As suspensões receberam molas mais rígidas, além de barras estabilizadoras com maior diâmetro. E os freios também foram reforçados e agora contam com discos rígidos na traseira.
Em estilo, o hatch recebeu adereços inspirados no Abarth Grande Punto europeu. O conjunto de para-choque dianteiro é novo, com uma grande entrada de ar central e faróis de neblina com moldura triangular. Os faróis ganharam máscaras negras. A lateral recebeu, além das minissaias, molduras de plástico preto nos para-lamas. E a traseira conta com escapamento de saída dupla e proteções inferiores no para-choque, lanternas elevadas com bordas escurecidas, além de spoiler em duas cores, preto na parte superior e no tom da carroceria por baixo. As pistas mais visíveis da motorização são os adesivos T-Jet afixados nas portas dianteiras. As rodas aro 17 são exclusivas, com uma pintura mais escura e fosca, calçadas em pneus 205/50. Estão disponíveis quatro opções de cores: branco, amarelo, vermelho e preto, este último metálico.
O interior esbanja sinais de esportividade explícita. Como o painel de instrumentos, cujos velocímetros e conta-giros possuem escalas duplas – os intervalos entre os números indicados aparecem circunscritos, em menor tamanho. Uma grande faixa de plástico texturizado, com a mesma cor da carroceria, corta o painel de ponta a ponta. Os bancos dianteiros são esportivos, com abas laterais pronunciadas e a inscrição T-Jet nos encostos. As pedaleiras são em alumínio e o motorista conta com um apoio para repousar o pé esquerdo. Até os cintos de segurança adotaram uma cor diferente, em um tom de cinza.
A lista de equipamentos de série compreende ar-condicionado manual, direção hidráulica, vidros, travas e retrovisores elétricos, ajuste de altura do banco, volante multifuncional regulável em altura e profundidade, controle de cruzeiro, som com CD/MP3 com subwoofer e controles no volante, sistema Blue&Me de viva-voz, computador de bordo, revestimento em couro preto dos bancos – parcial –, do volante, da manopla do câmbio e dos puxadores das portas, estepe com roda de alumínio aro 17, entre outros. No capítulo da segurança, traz duplo airbag na dianteira e freios ABS com EBD de série.
Como itens opcionais, o Punto T-Jet oferece ar-condicionado automático, navegador GPS indicativo – sem mapas – integrado ao painel, kit com sensores de chuva, de luminosidade e espelho interno eletrocrômico, airbags laterais dianteiros e do tipo cortina e teto-solar elétrico duplo. Completo, o preço do modelo salta para R$ 71.461. Um “brinquedo” para poucos, mas sem concorrentes diretos.

Instantâneas
# O Grande Punto foi lançado na Europa no Salão de Frankfurt em 2005.
# O design foi criado pelo italiano Giorgetto Giugiaro, fundador da Italdesign. Daí a inscrição gravada em plaquetas fixadas nas portas traseiras do Punto.
# A versão esportiva do hatch é produzida na Europa desde 2007 pela Abarth, marca da Fiat responsável pelas versões esportivas do grupo. Lá o modelo esportivo está disponível na carroceria duas portas.
# O Abarth Grande Punto conta com uma opção Essesse – “SS” em italiano –, que eleva a potência do motor 1.4 16V turbo de 155 cv para 180 cv.
# Vendido entre 1994 e 1996, o Fiat Uno Turbo i.e. também utilizava motor 1.4 turbo com intercooler, mas com 8 válvulas. Era capaz de gerar 118 cv e 17,5 kgfm, o suficiente para levar o Uno de zero a 100 km/h em 9,2 segundos e à máxima de 195 km/h, segundo dados oficiais.

Ficha técnica
Punto T-Jet 1.4 16V

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.368 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Turbocompressor IHI com 1.0 bar de pressão, intercooler, injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 152 cv a 5.500 rpm.
Torque máximo: 21,1 kgfm entre 2.250 rpm e 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 72 mm x 84 mm. Taxa de compressão: 9,8:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços oscilantes em aço estampado fixados ao subchassi, com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira semi-independente, com travessa de torção com seção aberta, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra de torção. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na frente a sólidos atrás. Oferece ABS e EBD.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,03 metros de comprimento, 1,68 m de largura, 1,50 m de altura e 2,51 m de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal de série e airbags laterais e do tipo cortina como opcionais.
Peso: 1.230 kg em ordem de marcha, com 400 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 280 litros/1.030 litros com o banco traseiro rebatido.
Tanque de combustível: 60 litros.

Ponto a ponto
Desempenho – O vigor do motor 1.4 16V turbo é sentido na primeira arrancada. Nas três primeiras marchas o giro não demora a subir e o turbo de 1,0 bar de pressão entra em cena após as 2 mil rpm. De zero a 100 km/h são necessários 8,9 segundos e, graças ao torque de 21,1 kgfm a partir de 2.250 rpm, a retomada de 60 a 100 km/h em quarta marcha é cumprida em 8,3 s. A velocidade máxima atingida foi de 200 km/h. Em uma condução normal, sente-se a falta de torque ao dobrar esquinas em terceira ou enfrentar subidas em baixas rotações. Nota 8.
Estabilidade – O endurecimento da suspensão se faz notar quando se passa por imperfeições. Embora não torça ao transpor lombadas, o modelo “quica” em buracos. Em compensação, o equilíbrio em curvas é garantido pelo conjunto, sem sustos nem saídas. As rodas aro 17 estão calçadas com pneus 205/50 que aderem ao asfalto. A direção é justa e transmite diretamente os movimentos do volante às rodas. Os freios a discos ventilados, com ABS e EBD de série, são potente e sensíveis. Paralisam o Punto em espaços curtos e de maneira equilibrada, embora a frente do carro embique. Nota 8.
Interatividade – O interior do Punto oferece soluções ergonômicas eficientes. O banco do motorista conta com ajuste de altura e junto ao volante de boa empunhadura, com regulagens de altura e de profundidade, propicia uma boa posição de dirigir. Embora o conjunto de câmbio e embreagem seja macio, trocar de marcha de maneira mais rápida é difícil, por causa do curso longo da alavanca. A visibilidade é prejudicada pelas largas colunas traseiras e pelo pequeno vidro posterior, problema que é um pouco atenuado pelo sensor de estacionamento. Os instrumentos do painel são de fácil leitura, com números grandes. Nota 7.
Consumo – O Punto T-Jet fez uma média de 7,5 km/l de gasolina, em um circuito 2/3 urbano e 1/3 estrada. Nota 6.
Conforto – A suspensão tem acerto adequadamente esportivo e deixa um pouco de lado o compromisso de oferecer conforto em pisos degradados. Os bancos dianteiros envolvem bem os ocupantes. Atrás, há espaço para dois ocupantes viajarem folgadamente, mas um passageiro central causa apertos. E o ronco encorpado do motor invade sem cerimônia o habitáculo. Uma característica tipicamente esportiva, mas que pode irritar um pouco quando se busca tranquilidade. Nota 6.
Tecnologia – O Punto utiliza uma versão simplificada da plataforma européia do Grande Punto, lançado em 2005. Relativamente moderna, mas que não traz suspensão traseira independente, por exemplo. O motor 1.4 16V turbo extrai expressivos 152 cv de potência, uma potência específica elevada, de 111 cv por litro. Entre os principais equipamentos de conforto, o hatch traz ar-condicionado, direção hidráulica, sistema viva-voz Blue&Me, computador de bordo e sistema de som com CD/MP3 e subwoofer. Na parte de segurança, o Punto conta com duplo airbag e freios ABS com EBD. Nota 8.
Habitabilidade – Os acessos ao interior são desimpedidos. O porta-malas comporta 280 litros, mas possui a “boca” muito alta, o que dificulta a entrada de volumes maiores. Da mesma forma o espaço interno é limitado para cinco ocupantes. Os cintos traseiros são de três pontos apenas para os passageiros laterais e o ocupante central ao menos conta com encosto de cabeça. Os porta-objetos são parcos. Além de um porta-copos duplo e um nicho no console central, os passageiros contam apenas com espaços nas portas dianteiras. Nota 6.
Acabamento – Como versão esportiva, o Punto T-Jet oferece uns toques mais caprichados. Entre eles uma faixa texturizada no tom da carroceria, que corta o painel de um extremo ao outro, e detalhes em couro pespontado nos bancos, volante, manopla do câmbio e puxadores das portas. Os encaixes e materiais utilizados são de boa qualidade, tal como a montagem, sem rebarbas flagrantes. Nota 8.
Design – É um dos pontos altos do modelo e permanece atual, mesmo passados quatro anos. Os apêndices aerodinâmicos, como o novo para-choque com formas agressivas, os alargadores pretos dos arcos das rodas e as minissaias laterais deram um aspecto mais agressivo ao conjunto. Nota 9.
Custo/Benefício – Por R$ 59.500, o Punto T-Jet se encontra sozinho como esportivo compacto de série, com um preço equiparado a alguns hatches médios. Para compensar, o modelo conta com uma boa lista de itens de série. Nota 7.
Total – O Fiat Punto T-Jet somou 73 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir
Assim é se lhe parece

Além do desenho, com toques mais extravagantes e esportivos, o Punto T-Jet se destaca pela sua força sob o capô. O pequeno motor italiano de 1.4 16V oferece 152 cv de potência a 5.500 rpm e bons 21,1 kgfm de torque entre 2.250 rpm e 4.500 rpm. Ao se pisar fundo, não restam dúvidas sobre a capacidade de aceleração do bólido, que encurta distâncias com voracidade e se mantém seguro em ritmos mais intensos. O zero a 100 km/h é cumprido em apenas 8,9 segundos e a velocidade máxima é de 200 km/h. O ronco encorpado do propulsor ressoa mesmo em baixas rotações, quando assume um tom “embaralhado”, como nos modelos de competição.
Se o motor é bastante eficaz, o câmbio não colabora tanto. A alavanca tem boa pega e acabamento em couro, mas o curso é longo demais e a precisão fica aquém da desejável para um modelo esportivo. Em ritmos mais tranquilos, a tarefa de mudar de marchas fica mais amigável.
No mais, o Punto T-Jet cumpre a cartilha de um hatch esportivo. A direção precisa auxilia nas curvas e transmite segurança em retas, sem exigir correções constantes. O conjunto de suspensões garante o equilíbrio, mesmo quando se despeja a potência no meio das curvas. Na hora de parar, os freios com discos ventilados dianteiros e rígidos traseiros oferecem segurança, mesmo em frenagens súbitas ou em velocidades mais elevadas.
Se o conforto é penalizado pelo rodar mais áspero, o pacote de equipamentos compensa em parte essa característica. Achar a melhor posição é uma tarefa auxiliada pelas amplas regulagens em altura e distância do volante e pelo ajuste de altura do banco do motorista. O sistema de som garante uma boa fidelidade de reprodução. Os bancos de couro, com faixa central em tecido, oferecem apoio eficiente nas curvas e não possuem espuma rígida em excesso. Outros opcionais enriquecem a convivência. O ar-condicionado automático é bem eficaz. O sistema de navegação possui funcionamento semelhante ao do Linea. E, para os que valorizam uma maior integração com o ambiente, ainda há o vistoso teto solar panorâmico Skydome, que sai por também chamativos R$ 5.460.
O espaço interno é generoso para os passageiros frontais, que contam com um bom espaço para as pernas e cabeças. Atrás, dois ocupantes viajam com conforto. Um terceiro passageiro irá se ressentir de espaço para os ombros, além do encosto central abrigar um descansa braços ressaltado. O porta-malas de 280 litros não se destaca no segmento. O estilo esportivo do modelo, junto com o ronco advindo da saída dupla do escape, ajuda a virar os pescoços nas ruas. E, de certa forma, é esse mesmo o objetivo implícito do Punto T-Jet: chamar a atenção.


Ford Fusion SEL 2.5 16V
Ford Fusion SEL 2.5 16V
Ford Fusion SEL 2.5 16V
Ford Fusion SEL 2.5 16V
Ford Fusion SEL 2.5 16V
Ford Fusion SEL 2.5 16V
Ford Fusion SEL 2.5 16V

AutoMundo - Lançamento do Ford Fusion SEL 2.5 16V: Julio Cabral / Carta Z Notícias.

Evolução racional
Novo Fusion 2.5 16V preserva o bom custo/benefício do sedã da Ford

por Julio Cabral / Auto Press

Desde que passou a ser importado do México, em 2006, o Ford Fusion deu o que falar. Bem equipado, o modelo médio-grande investiu no bom custo/benefício para atrair também os consumidores dos sedãs médios mais sofisticados. A estratégia se mostrou acertada e o Fusion acumulou cerca de 31 mil unidades vendidas desde o lançamento. Agora, a Ford passa a trazer a versão reestilizada do sedã com motor quatro cilindros, por um preço inicial de R$ 84.900, R$ 15 mil a menos do que a nova versão top V6 3.0, que parte de R$ 99.900. Para encarar os sedã do mesmo porte – Honda Accord LX 2.0, por R$ 93.370, Peugeot 407 2.0 Allure, a partir de R$ 82.900, e Hyundai Azera GLS 3.3 V6, que custa R$ 85.800 –, o novo Fusion recebeu uma dose extra de potência e equipamentos.
O propulsor Duratec 2.3 16V de alumínio cresceu e passou a 2.5 litros. O “upgrade” elevou a potência de 162 cv para 173 cv a 6 mil rpm, e o torque de 20,7 kgfm para 22,9 kgfm. O motor trabalha em conjunto com uma nova caixa de câmbio automática de seis marchas, contra cinco da anterior, que não conta com opção sequencial – disponível apenas com o motor V6. Segundo dados da Ford, o Fusion faz de zero a 100 km/h em 9,9 segundos, uma melhora de apenas 0,4 s face o anterior, que fazia a mesma prova em 10,3 s.
Por fora, o estilo do sedã ganhou esportividade. A porção frontal é o cartão de visitas das mudanças. Os novos faróis, com máscaras escurecidas e projetores elípticos, se estendem horizontalmente. A marcante grade, com uma barra cromada superior que encima os faróis, está mais encorpada. Da mesma forma, o capô tem um largo ressalto central, à maneira dos “muscle cars”. Os para-choques reforçam o ar mais “nervoso”, com uma larga entrada de ar central e faróis de neblina em moldura cromada triangular.
Os painéis laterais mantiveram basicamente o mesmo estilo de antes, com linha de cintura alta e pequena área envidraçada. Já a traseira ganhou retoques como as lanternas com um novo recorte, que abandonaram a antiga máscara cromada e adotaram uma em estilo “colméia”. A tampa do porta-malas agora é vincada e ganhou uma barra cromada que se integra ao brake-light. Além da ausência de identificação do motor, a única diferença entre o 2.5 16V e o V6 3.0 está na saída de escape, dupla à direita, enquanto o Fusion mais potente possui uma em cada lado.
Por dentro, a reforma também foi extensa. Na versão quatro cilindros, salta à vista o quadro de instrumentos, com iluminação permanente em um chamativo tom azul ártico. Agora são três instrumentos – conta-giros, velocímetro e termômetro/combustível integrados – e não mais quatro mostradores. O console central possui novas linhas, com sistema de som integrado ao painel, novos comandos de ar-condicionado e apliques aluminizados. Ainda há a regulagem em sete cores distintas para iluminação de alguns pontos do interior, como no porta-copos do console central.
O pacote de equipamentos de série é bem servido. Ar-condicionado digital dual zone, direção elétrica – a anterior tinha assistência hidráulica –, CD Player/MP3 com 12 alto-falantes, disqueteira para seis CDs e entradas auxiliares e USB, ajustes elétricos do banco do motorista e do carona, computador de bordo, controle de cruzeiro, volante multifunção, sensor de luminosidade, interior em couro, retrovisor interno eletrocrômico, sensor de estacionamento traseiro e rodas aro 17 com pneus 225/50, entre outros. O único opcional é o teto solar elétrico, por R$ 4 mil.
O Fusion manteve itens de segurança como seis airbags – frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina – e freios ABS com EBD, e ainda adicionou controles de tração e de estabilidade. Outra novidade é o sistema de alerta em casos de acidentes, que, após a colisão, liga a setas e aciona a buzina de forma intermitente. Ao preservar a fórmula que junta bons equipamentos e preço atraente, a Ford planeja resgatar a média de mil unidades mensais dos melhores tempos do modelo no Brasil. A previsão da marca é que as vendas sejam divididas igualmente entre a versão 2.5 16V e a V6 3.0.

Primeiras impressões
Apuro dinâmico

Praia do Forte/Bahia – O primeiro Fusion já possuía um acerto agradável, que fugia ao estigma de “barcas” dos modelos norte-americanos e impressionava pelos cromados bem distribuídos. A versão renovada acrescenta um pouco mais de refinamento e tempero à antiga fórmula. Após encontrar a posição de dirigir, uma tarefa fácil dada a amplitude de ajustes do banco do motorista e ao volante regulável em altura e profundidade, a primeira impressão ao girar a chave é de um surpreendente silêncio.
A 100 km/h, o propulsor gira a menos de 2 mil rpm, graças à sexta marcha. O ronco do motor só se faz notar em acelerações mais entusiasmadas, quando se crava o pé no pedal do acelerador até o final do curso. A disposição do motor 2.5 16V com 173 cv é elogiável, com respostas rápidas garantidas pelo ágil câmbio de seis marchas. O zero a 100 km/h é cumprido em cerca de 10 segundos e a velocidade máxima ainda está limitada a 180 km/h. Até 160 km/h, o modelo acelera com presteza e as retomadas são rápidas.
O rodar é macio, a despeito dos pneus perfil 50 em rodas aro 17. Não há moleza, pois a suspensão independente nas quatro rodas absorve as irregularidades sem isolar o condutor. Apenas em curvas mais acentuadas há um pouco de rolamento da carroceria, mas o conjunto de pneus 225 com sílica garante a estabilidade e dá segurança, auxiliado pelo controle de tração e de estabilidade. A direção elétrica possui assistência adequada em altas velocidades e é macia em manobras. O interior recheado de itens de conforto e conveniência garante uma convivência agradável. E o acabamento é bem-feito, com materiais macios no painel e portas. Já o espaço interno é garantido pelo amplo entre-eixos de 2,72 metros, sem aperto para nenhum dos ocupantes. Para melhorar, em um percurso de estrada, o computador de bordo indicou média de 10,5 km/l de consumo. Nada mal para um modelo do porte do Fusion.

Ficha Técnica
Ford Fusion SEL 2.5 16V

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 2.488 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote, com variação na abertura. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 173 cv a 6 mil rpm.
Torque máximo: 22,9 kgfm a 4 mil rpm.
Diâmetro e curso: 89 mm X 100 mm. Taxa de compressão: 9,7:1.
Suspensão: Dianteira independente com duplos braços triangulares, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente, com braços múltiplos, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos nas quatro rodas. Possui ABS e EBD de série.
Carroceria: Sedã em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,84 metros de comprimento, 1,83 m de largura, 1,44 m de altura e 2,72 m de entre-eixos. Oferece seis airbags de série: duplo frontal, laterais dianteiros e do tipo cortina.
Peso: 1.520 kg com 430 kg de cárga útil.
Capacidade do porta-malas: 530 litros.
Tanque de combustível: 66 litros.
Preço do modelo: R$ 84.900
Preço com teto solar: R$ 88.900


Chevrolet Blazer Advantage 2.4 MPFI Flexpower 2010
Fiat Linea 1.9
BMW S1000 RR
Mercedes-Benz Classe S
Opel Astra

Autotal, por Luiz Fernando Lovik - Fotos da Chevrolet Blazer Advantage 2.4 MPFI Flexpower 2010, do Fiat Linea 1.9, da BMW S1000 RR, do Mercedes Classe S e do Opel Astra: Divulgação.

Seleção natural
Os anos e o preço elevado deixaram marcas na Blazer. E os sinais do tempo apontaram para a retirada do mercado da versão turbodiesel do decano utilitário esportivo da Chevrolet. Além da falta de novidades estéticas, o valor pedido para a configuração a diesel do modelo não deu chances ao veículo de concorrer no seu segmento. Agora é oferecida apenas a versão Advantage 2.4 MPFI Flexpower 4X2, por preços a partir de R$ 63.114
Os cerca de R$ 128 mil pedidos pela Blazer Colina e os R$ 137 mil pela versão Executive, com motor 2.8 turbodiesel e tração 4X4, soavam excessivos se comparados aos concorrentes, todos mais atualizados e com preço inferior. A versão mais cara da Captiva da própria GM, por exemplo, custa próximo de R$ 105 mil. Já o Hyundai Tucson com maior preço gira nos R$ 115 mil. No primeiro quadrimestre de 2009 foram vendidas 768 unidades da Blazer, e apenas 5% delas eram das versões a diesel. A média mensal de vendas do utilitário esportivo ficou em cerca de 190 unidades.
Já no caso da pick-up S10, as vendas vão bem. O veículo segue com líder absoluto no seu segmento, com 10.229 unidades emplacadas nos quatro primeiros meses do ano, batendo a Toyota Hilux, com 7.978 unidades. A Mitsubishi L200 está em terceiro lugar, com 6.565 vendas, seguida da Ford Ranger com 3.584 veículos e a Nissan Frontier com 1.774 unidades.

Receita conhecida
A Fiat deu o braço a torcer e resolveu oferecer o Linea com preços mais baixos. A marca já mostra em seu site novas versões do sedã. A gama passa a contar com as configurações de entrada LX 1.9 16V e LX 1.9 16V Dualogic, que custam R$ 53.990 e R$ 56.800 - com câmbio manual e automatizado, respectivamente. Como nada vem de graça, o sedã básico perdeu as rodas de liga leve, freios ABS e sensor de estacionamento, de luminosidade e de chuva. Além disso, a potência da versão LX caiu de 130 cv com gasolina e 132 cv com álcool para 127 cv, graças a uma recalibragem na injeção eletrônica, para entrar numa faixa menor de tributação de IPI.
As configurações 1.9 16V e 1.9 16V Dualogic, com 130/132 cv, passaram a ser denominadas HLX. Os preços são de R$ 56.550 e R$ 59.350 para câmbio mecânico e manual, respectivamente - antes custavam R$ 57.537 e R$ 60.372. Já a versão T-Jet passou de R$ 73.857 para R$ 68.850. A Absolute 1.9 16V Dualogic manteve o preço em R$ 64.850. A criação de uma versão mais básica repete a estratégia adotada pela Fiat para o Siena, que registrou alta de 24,8% de abril frente a março. Foram 9.255 unidades emplacadas, contra 7.412 em março. O Linea vendeu apenas 3.475 unidades no primeiro quadrimeste do ano, com 887 veículos registrados em abril e uma média mensal de 868 unidades.

Para poucos
É comum entre as fabricantes de motos superesportivas produzir edições limitadas de rua de seus “foguetes” por exigências de homologação do Mundial de Superbike. É o que a BMW acaba de fazer na Europa, com o lançamento da versão de rua da S 1000 RR, representante da marca no campeonato, com produção limitada a mil unidades. Com um detalhe: a superesportiva de 1.000 cm3 mantém as linhas bastante agressivas que se aproximam mais das motos japonesas que propriamente dos modelos da montadora alemã. Na dianteira, o destaque são os faróis desiguais, com o direito do tipo canhão e o esquerdo em forma de losango inclinado na diagonal.
O motor foi modificado para atender as normas de emissões de poluentes e de ruídos. Com quatro cilindros em linha, produz 193 cv de potência aos 13 mil giros e um torque poderoso de 11,4 kgfm, disponível plenamente aos 9.750 rpm. Com 204 kg de peso em ordem de marcha, a BMW S 1000 RR tem uma relação peso/potência de 1,05 kg/cv.
Há grande fartura de eletrônica embarcada. Entre os principais equipamentos, estão disponíveis controle eletrônico de tração e um ABS com módulo Race pago à parte – o sistema antibloqueio convencional é de série. Esse módulo permite ajustar a intervenção do dispositivo de acordo com a aderência do piso e com o conjunto de pneus utilizados. Há ainda opção de um câmbio servoassistido, que permite trocas de marcha sem que seja necessário acionar o manete da embreagem ou aliviar a pressão sobre acelerador.

De primeira grandeza
A Mercedes-Benz resolveu ir além de uma simples atualização visual e promoveu uma renovação profunda no sedã grande de luxo Classe S. O modelo, em produção desde 2005 e que já soma mais 270 mil unidades vendidas no mundo, traz diversas mudanças estéticas, de engenharia e tecnológicas. São de série, por exemplo, um sistema de câmaras e radares que funciona em conjunto com o controle de cruzeiro adaptativo e o controle eletrônico de estabilidade com o recurso Crosswind Stabilization, que ajusta o comportamento da suspensão de acordo com a força dos ventos laterais sobre a carroceria.
Mas a principal novidade é a introdução da versão S 400 Hybrid. A propulsão híbrida une um motor 3.5 litros V6 a gasolina de 283 cv acoplado ao sofisticado câmbio automático sequencial 7G-Tronic e um outro propulsor elétrico, alimentado por baterias de íon de lítio e capaz de produzir 20 cv de potência e 16,3 kgfm de torque. A combinação gera, no total, 303 cv e consumo divulgado de 12,6 km com um litro do combustível fóssil. Disponível nas revendas europeias a partir de junho, o Classe S ainda conta com as motorizações 3.0 e 4.0 V8 a diesel e outras seis unidades de força a gasolina. São elas a 3.5 litros V6 de 283 cv, uma 4.7 V8 de 345 cv, uma 5.5 V8 de 393 cv e as poderosas 6.2 litros V8 de 532 cv e o 6.0 V12 biturbo com potências de 524 cv e colossais 620 cv – os dois últimos modificados pela divisão esportiva da marca, a AMG.

Revelação antecipada
O vazamento de imagens de modelos ainda inéditos geralmente é um “factóide” criado pelos departamentos de marketing das montadoras. E está funcionando para o Opel Astra. Circulam pela internet as primeiras fotos da quarta geração do hatch europeu, duas à frente do modelo brasileiro – a terceira geração foi lançada por aqui como Vectra GT. A exibição final do modelo será apenas em setembro, no Salão de Frankfurt, na Alemanha. O estilo do modelo 2010, que apareceu por enquanto apenas na versão hatch quatro portas, foi amplamente inspirado no médio grande Insignia, que substituiu o Vectra na Europa. O Astra agora exibe linhas mais curvilíneas, que abandonam o estilo anguloso da geração anterior.
Do modelo maior, o hatch herdou os vincos laterais ascendentes, que terminam junto às lanternas e delimitam a tampa do porta-malas. A frente é mais agressiva, com para-choques integrados à carroceria e faróis prolongados na parte superior, com um recorte inferior semelhante ao do Insignia. A linha do teto é suave, mas que termina em uma queda abrupta na porção posterior. O médio compartilha a plataforma Delta II, que também serve ao três volumes Chevrolet Cruze. Ainda não foram divulgadas especificações de motorizações e de equipamentos.

Terra nostra
Depois de confirmar a chegada à Argentina, a Alfa Romeo em breve também pode ter seus veículos novamente comercializados no Brasil. Segundo informações que correm apenas nos bastidores, a comercialização dos modelos Alfa Romeo funcionará com uma divisão independente, sem a participação da Fiat Brasil, com importador e rede de concessionários distintos.
É provável que, a exemplo do país vizinho, o primeiro veículo da marca a chegar ao território nacional seja o MiTo. O modelo tem motor 1.4 T-Jet a gasolina de 155 cv, com caixa de transmissão manual de seis marchas – o mesmo propulsor que equipa os modelos Linea e Punto T-Jet no Brasil. De acordo com dados do fabricante italiano, o hatch chega a velocidade máxima de 215 km/h e acelera de zero a 100 km/h em 8 segundos.

Leve recuperação
Esperava-se um salto enorme, mas o pulo foi mais modesto. Mesmo com a ajuda do governo com a isenção da taxa da Cofins, o mercado de duas rodas não voltou ao patamar de 2008. De acordo com dados da Abraciclo, entidade que representa o setor no país, no mês de abril foram comercializadas 152.064 unidades, 26,2% a mais do que em março deste ano. Porém, o número de modelos emplacados ficou 16,2% abaixo do total registrado no mesmo mês de 2008.
Nos quatro primeiros meses do ano, foram vendidas 461.694 unidades. A Honda CG Fan 125 é o modelo líder em vendas, com 132.151 emplacamentos este ano, o que representa 28,6% do mercado. A Honda tem 78,5% do mercado nacional. A produção seguiu a melhora e teve alta de 3,6% em relação a março, quando 126.295 unidades foram produzidas. Porém, no confronto de dados entre abril deste ano e abril de 2008 a queda é de 31,4%. Já as exportações registraram queda de 68% frente a março. As 2.452 unidades exportadas em abril deste ano ainda estão 79,3% abaixo das exportadas em abril de 2008.

No front alemão
Um movimento antiFiat se forma para impedir a aquisição do braço alemão da GM, a Opel. O instrumento de resistência seria a parceria formada entre a fabricante russa de automóveis GAZ e a Magna International, empresa canadense que produz autopeças. A oferta seria por 50% do Opel. A empresa do Canadá ficaria com 20% do capital da Opel, enquanto os restantes 30% seriam dos russos. A proposta é um endosso a uma solução contra a Fiat, defendida pelos sindicatos dos trabalhadores da Opel, que temem pelos seus postos de trabalho, caso a fusão com a marca italiana aconteça.
A notícia divide espaço com uma proposta do Governo alemão de conceder garantias de empréstimos à Opel, para viabilizar a venda em caso de insolvência, solução ainda não descartada por Fritz Henderson, CEO da GM. Os planos devem ser formalizados até o dia 1º de junho, data em que a GM apresentará ao governo alemão um novo plano de reestruturação da subsidiária germânica.


Como a crise afeta as exportações e a produção do mercado brasileiro de automóveis

Auto-Serviço: Como a crise afeta as exportações e a produção do mercado brasileiro de automóveis - Ilustração: Afonso Carlos / Carta Z Notícias.

Efeito colateral
Enquanto mercado interno mantém fôlego, crise global afeta exportações de automóveis brasileiros

por Fernando Miragaya / Auto Press

Para a indústria brasileira de automóveis, os efeitos da crise global têm duas perspectivas diametralmente opostas. De um lado, o mercado interno continua a enfrentar, com certo desembaraço, o desarranjo financeiro mundial e mantém o ritmo de vendas do ano passado – alimentado, principalmente, pelas facilidades tributárias oferecidas pelo Governo. Do outro, as exportações foram pegas em cheio pelo turbilhão econômico. Como os mercados de vários países ficaram muito mais retraídos que o brasileiro, as exportações dos automóveis fabricados aqui caíram drasticamente. Segundo dados da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores –, no primeiro quadrimestre, as exportações foram 51,2% menores que no ano passado, o que se refletiu em uma queda de 14,7% na produção. “A redução na produção de veículos no Brasil em 2009 vai ser puxada fundamentalmente pela perda de exportação”, reconhece Jackson Schneider, presidente da entidade.
Na ponta do lápis, o quadro é mesmo desanimador para as exportações. Em 2004, por exemplo, quase 30% de toda a produção brasileira de veículos era destinada ao mercado externo. Agora, este índice caiu para 15%. No primeiro quadrimestre de 2008 foram 189.407 veículos. Já de janeiro a abril deste ano, este número se reduziu para 92.372 unidades exportadas – o que significa quase US$ 2,3 bilhões a menos com exportações. O tombo nas vendas de carros “made in Brazil” se deve ao fato de o país não ter uma clientela de amplo espectro. “As exportações brasileiras estão concentradas em uma fatia pequena de países. Elas não estão pulverizadas”, ressalta Alexandre Andrade, economista da consultoria Tendências. O caso é que os produtos brasileiros não são sofisticados e, por isso, as vendas acabam se dirigindo a países com mercados mais pobres e que sofreram muito com a crise. Os mercados da Argentina e do México, os dois maiores compradores, recuaram mais de 60% cada um.
A questão da cotação entre real e dólar dessa vez não é a principal razão para um panorama ruim das exportações. Mas contribui para piorar. A desvalorização do real frente à moeda norte-americana a partir do chamado “setembro negro” – quando teve início a crise financeira global – poderia até se traduzir em vantagens para as exportações. Afinal, o dólar era cotado a R$ 1,60 e hoje oscila entre R$ 2 e R$ 2,30. Só que as moedas de países emergentes, compradores ou competidores, desvalorizaram mais que a brasileira. “A moeda sul-coreana, por exemplo, desvalorizou bastante e os carros de lá ficaram mais competitivos para alguns mercados. E se o real não tivesse se desvalorizado, a situação estaria pior”, acredita Carlos Eugênio Dutra, diretor de Produto e Exportações da Fiat.
O recuo do mercado externo acaba por afetar diretamente a produção. De acordo com os executivos do setor, esse panorama implica em mudanças desde os compromissos com os fornecedores até a capacidade instalada de produção. O fato de o mercado interno estar em um bom ritmo, porém, minimiza os efeitos das vertiginosas quedas das exportações. “Acaba desequilibrando o planejamento, mas com o mercado interno mantido, tem-se a oportunidade de redirecionar a produção”, pondera Marcos de Oliveira, presidente da Ford. “A exportação para a GM é uma atividade complementar, que não substitui o mercado interno. As vendas internas é que garantem competitividade e ganhos de escala para exportar”, salienta José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors.
A situação é complexa e dificulta as projeções. “É muito difícil prever o que vai ocorrer no segundo semestre. Depende de uma série de fatores macros, tanto internos como externos”, diz Oliveira, da Ford. Mesmo assim, a Anfavea acredita que 2009 feche com US$ 9,5 bilhões em vendas e 500 mil unidades exportadas. Caso se confirme, os volumes serão respectivamente 39% e 32% menores que os números alcançados de 2008. “O mercado de exportação vai demorar a se recuperar. Mas temos expectativa de melhora, principalmente, no segundo semestre”, aposta Schneider, presidente da associação.

Instantâneas
# As exportações em abril somaram US$ 559,4 milhões, valores 7,4% menores que os registrados em março. Isso apenas do crescimento do número de unidades em 5,8%, de 34.405 unidades para 36.402. Ou seja: o preço médio das unidades vendidas caiu.
# As exportações brasileiras gerais somaram US$ 198 bilhões no ano passado e o Brasil terminou o ano como o 22º exportador mundial, segundo a Organização Mundial do Comércio.
# A produção no primeiro quadrimestre somou 916.225 unidades, entre automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, segundo a Anfavea.
# A Argentina ainda é o maior comprador de automóveis brasileiros, com 55% do volume.
# O Brasil tem acordos alfandegários com os países do Mercosul, que isentam os automóveis exportados de tarifas de importação. Já com o México, os veículos exportados pagam a simbólica taxa de 1%.
# A Volkswagen é a montadora que mais exporta. Em 2009, já mandou para fora 41.577 unidades, seguida da Ford, com 9.079, da GM, com 7.710, e da Fiat, com 5.935.
# O Volkswagen Gol foi o modelo brasileiro mais exportado em 2008, com 79.413 unidades.

Novas terras
Para quem vive uma crise global, o mercado interno relativamente estável serve como consolo para a queda acentuada das exportações. Mesmo assim, há quem enxergue alternativas que podem minimizar os efeitos da crise. A principal delas seria buscar novos negócios. Ou ao estilo dos navegadores do Século XV, desbravar oceanos. “A longo prazo, à medida que os efeitos da crise passem e as coisas voltem ao normal, uma saída pode ser buscar um maior número de parceiros, principalmente que tenham mercado consumidor parecido com o nosso”, sugere Alexandre Andrade, economista da consultoria Tendências.
A Fiat tenta seguir essa lógica. A marca italiana, que já teve 50 países compradores, atualmente exporta para 36 países – 27 na América Latina e nove na Europa Ocidental. “Por questões estratégicas, nos especializamos em América Latina, mas é possível ganhar mais oito ou 10 países”, torce Carlos Eugênio Dutra, diretor de Produto e Exportações da Fiat. A General Motors, por sua vez, não parece muito otimista. A montadora já chegou a exportar para 40 países e agora exporta para 10. “No atual cenário mundial, em que se registram quedas em vários mercados expressivos, não há condições favoráveis para a prospecção de novos clientes para a exportação”, acredita José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da GM.


Renault Mégane Grand Tour Extreme 2.0 16V Automática
Renault Mégane Grand Tour Extreme 2.0 16V Automática
Renault Mégane Grand Tour Extreme 2.0 16V Automática
Renault Mégane Grand Tour Extreme 2.0 16V Automática
Renault Mégane Grand Tour Extreme 2.0 16V Automática
Renault Mégane Grand Tour Extreme 2.0 16V Automática

AutoPerfil - Renault Mégane Grand Tour Extreme 2.0 16V Automática - Fotos: Jorge Rodrigues Jorge / Carta Z Notícias.

Pitadas de adrenalina
Renault quer apimentar as vendas da station Mégane Grand Tour com a série limitada Extreme

por Diogo de Oliveira / Auto Press

Como imagem de esportividade e juventude não tem contra-indicação mercadológica, a Renault decidiu recorrer a um visual mais agressivo, quase "bad-boy", para tentar reacender sua linha Mégane. A montadora criou a série limitada Extreme para, em cinco meses, emplacar mil unidades do sedã e 500 unidade da station Grand Tour. Desde a década de 1990, na verdade, as montadoras costumam extrapolar as funções puramente familiares das station wagons com doses de esportividade em busca de ampliar o espectro de público. Explica-se: peruas são pensadas para serem práticas e entenderem bem às mulheres – com espaço para compras e filhos. Mas, quando agregam visual e itens esportivos, passam a atrair também os homens, que geralmente têm visão mais romantizada dos automóveis.
A versão Extreme é disponível apenas na cor preta e traz de série aerofólio e saias laterais, rodas de liga leve de 16 polegadas pintadas na cor grafite calçadas por pneus 205/55 e adesivos nas laterais. O que mais chama a atenção, porém, é o para-choques com uma enorme tomada de ar que se estende de ponta a ponta, com os faróis de neblina nas extremidades. No interior, o destaque é o console central coberto por uma placa de alumínio cujo grafismo imita fibra de carbono. Outra novidade é o revestimento dos bancos em tecido escuro com costura vermelha pespontada. Há ainda detalhes em metal acetinado e couro no volante e na alavanca do câmbio.
Apesar dos apelos estéticos, a Extreme traz sob o capô os já conhecidos motores 1.6 16V flex e 2.0 16V a gasolina. O propulsor menor vem acoplado a um câmbio manual de cinco marchas e produz 110/115 cv de potência com gasolina/álcool a 5.750 rpm e torque máximo de 15,2/16,0 kgfm despejados aos 3.750 giros, na mesma ordem. Já a unidade de força 2.0 a gasolina gera 138 cv aos 5.500 rpm e um torque de 19,2 kgfm aos 3.750 giros. Este propulsor pode ser gerenciado por um câmbio automático sequencial de quatro ou manual de seis velocidades.
A Extreme tem a seu favor uma boa relação custo/benefício. Parte de R$ 62.850 com o motor 1.6 flex, sobe para R$ 65.610 com o propulsor 2.0 e chega a R$ 69.410 com o câmbio automático sequencial. Por esse valor, é mais em conta que as únicas rivais diretas. A Volkswagen Jetta Variant tem níveis de equipamentos e motorização superiores, mas começa em R$ 91.900. Já com a Peugeot 307 SW, a briga é mais parelha. Ela deixou de ser produzida na França – por lá, a 308 SW já está no mercado –, mas por aqui ainda existe modelos 2008 – a R$ 67.490 a básica Allure 2.0 e R$ 72.220 a 2.0 Automática.
A série não tem opcionais, mas traz de série equipamentos interessantes: ar automático, direção elétrica, trio, rádio/CD com MP3 e comandos do som na coluna de direção, computador de bordo, alarme, airbags frontais e freios com ABS e EBD. Nas vendas, a Mégane GT segue líder há mais de um ano em um segmento muito letárgico. A perua da Renault emplacou 746 unidades nos primeiros quatro meses de 2009, uma média mensal de 186 unidades. Se as previsões da Renault estiverem corretas, a Extreme responderá, então, por mais de 50% das vendas da station.

Ponto a ponto
Desempenho – O motor 2.0 16V a gasolina responde bem às investidas no acelerador da Mégane GT. Seus 138 cv aos 5.500 giros e o bom torque de 19,2 kgfm, soltos aos 3.750 rpm, são capazes de produzir arrancadas interessantes até os 60 km/h. Depois, perde o fôlego. O zero a 100 km/h foi feito em sofríveis 11,8 segundos. O rendimento fica comprometido pelo câmbio automático sequencial de quatro marchas, que tem escalonamento muito aberto e alonga demais as marchas. A imagem de esportividade promete muito mais que a GT apresenta. Nota 6.
Estabilidade – É um dos principais atributos da Mégane GT. A perua torce pouco a carroceria e não joga a traseira. Nas retas, mostrou grande equilíbrio, mesmo próximo da máxima de 190 km/h. De negativo, a direção elétrica fica excessivamente leve e pouco comunicativa em alta velocidade. Nota 7.
Interatividade – A Mégane GT é agradável. Traz a grande maioria dos comandos bem posicionada, com destaques para a alavanca do freio de estacionamento, do tipo manche, e a chave-cartão, com o acionamento do motor no botão start/stop na parte inferior do console. A alavanca elevada do câmbio também agrada com engates suaves e precisos. Nota 8.
Consumo – Movida a gasolina e com desempenho apenas comportado, a Mégane GT 2.0 16V automática mostrou-se eficiente. Marcou média de 10,2 km/l num percurso com 1/3 de estrada e 2/3 de cidade. Nota 7.
Conforto – O conjunto de suspensão da Mégane GT tem um acerto eficiente, com ótima absorção de buracos. Por dentro, há ótimo espaço para pernas e cabeças. O isolamento acústico cumpre bem seu papel, mas é prejudicado pelo câmbio automático, que estica demais as marchas. Nota 8.
Tecnologia – A linha Mégane é razoavelmente moderna, com estrutura projetada em 2002, com deformação programada e alto índice de rigidez torcional. Já o câmbio automático sequencial de quatro marchas é apenas razoável, o motor também é conceitualmente antigo e a lista de série não impressiona. Há apenas equipamentos básicos de segurança: airbags duplos e freios com ABS. Nota 7.
Habitabilidade – É o ponto alto da perua. Seu porta-malas comporta excelentes 520 litros de bagagens e chega a 1.600 litros, com o banco traseiro rebatido. Há ainda bons acessos e regulagens. Nota 9.
Acabamento – Não há grande requinte a bordo da Mégane GT. Na série limitada Extreme, o apelo visual à esportividade cai bem. As peças plásticas têm texturas agradáveis e encaixes precisos. Não há rebarbas. Nota 8.
Design – A Mégane GT é bem atraente, com linhas harmônicas e uma solução interessante na traseira, com lanternas verticais em forma triangular. As linhas já não estão mais atualizadas com as do modelo europeu, mas ainda são modernas. Nota 7.
Custo/Benefício – Na versão “top” da série limitada Extreme, a Mégane GT vem equipada com o motor 2.0 acoplado ao câmbio automático e parte de R$ 69.410. E o modelo ainda conta com um bom pacote de série. Nota 8.
Total – O Mégane GT Extreme somou 75 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir
“Injeção” estética

A série limitada Extreme tem como único objetivo emprestar alguma jovialidade à linha Mégane. E a proposta funcionou muito bem na versão Grand Tour. Por fora, o novo para-choques dianteiro com uma tomada de ar enorme passa a impressão de esportividade, enquanto na traseira há um aerofólio marcante e, no interior, destacam-se o tecido preto dos bancos com costura vermelha pespontada e o acabamento do console central, com uma moldura de alumínio com grafismos que lembram fibra de carbono.
Dinamicamente, porém, a Mégane GT Extreme em nada difere das versões convencionais. O motor 2.0 16V a gasolina é conceitualmente antigo, mas funciona bem, com respostas rápidas ao acelerador e uma subida de giros linear. O zero a 100 km/h ocorre em longos 11,8 segundos e a máxima é de apenas 190 km/h. Números fracos para um carro que ostenta visual esportivo. E o rendimento ainda é prejudicado pelo câmbio automático sequencial de quatro marchas, que realiza as trocas de forma lenta e estica demais as marchas. Já nas curvas, retas e frenagens, a perua média mantém bom equilíbrio, com pouca torção da carroceria. E a versão Extreme ainda oferece bom pacote de equipamentos série por um valor razoavelmente competitivo, de R$ 69.410.

Ficha técnica
Renault Mégane Grand Tour
Extreme 2.0 16V Automática
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.998 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automático de quatro velocidades à frente e uma a ré com opção de mudanças sequenciais. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.
Potência máxima: 138 cv a 5.500 rpm.
Torque máximo: 19,2 kgfm a 3.750 rpm.
Diâmetro e curso: 82,7 mm X 93,0 mm. Taxa de compressão: 9,8:1.
Suspensão: Dianteira independente pseudo-McPherson, com braço inferior retangular e barra estabilizadora. Traseira por eixo flexível, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Não oferece controle de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos. ABS e EBD de série na versão.
Carroceria: Station wagon média em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Medidas: 4,50 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,50 m de altura e 2,68 m de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal de série na versão. Não oferece airbag lateral e de cabeça.
Peso: 1.370 kg com 425 kg de carga útil
Capacidade do porta-malas: 520 litros/1.600 litros rebatido.
Tanque de combustível: 60 litros.


Peugeot 308 CC
Peugeot 308 CC
Peugeot 308 CC
Peugeot 308 CC
Peugeot 308 CC
Peugeot 308 CC
Peugeot 308 CC
Peugeot 308 CC
Peugeot 308 CC

Vitrine - Peugeot 308 CC - Fotos: Eduardo Rocha / Carta Z Notícias.

Sem teto, com glamour
Peugeot incrementa o coupé-cabriolet 308 com requinte, conforto e tecnologia

por Eduardo Rocha / Auto Press

Dubrovnik/Croácia – Mais do que um veículo, o que se vende hoje é a imagem que determinado veículo projeta para seu comprador. Os modelos esportivos, por exemplo, agregam a ideia de juventude e os utilitários esportivos, o espírito aventureiro. Mas, mesmo antes de o marketing inventar o consumo "aspiracional", os conversíveis já transbordavam de simbolismos. Um modelo sem capota projeta, e sempre projetou, a imagem da "dolce vita", da vida bem-vivida e despreocupada. Da simplicidade típica dos roadsters dos anos 60 sobrou pouco. Hoje, há uma parafernália tecnológica – que, como toda parafernália, deve ser constantemente atualizada. É o caso do novo 308 CC, apresentado aos jornalistas na região de Dubrovnik, no Sul da Croácia. O modelo da Peugeot chega para substituir o 307 CC, que ainda é comercializado no Brasil.
O 307 CC, lançado em 2003, nem bem tinha cumprido seu ciclo de vida completo, normalmente de sete anos. Mas o caso é que a Peugeot tinha pressa para mudar a geração de toda a sua linha média na Europa. No Brasil, por outro lado, o novo modelo só deve dar as caras por volta de 2011, quando o hatch e o sedã 307 devem ser substituídos pela linha 308 – as duas gerações de médios usam a mesma plataforma com diferenças evolutivas. O novo CC mantém a lógica de teto rígido retrátil, criada pela própria Peugeot em 1935, com o modelo 401 coupé-cabriolet Eclipse, e recuperada para a marca pelo modelo 206 CC no ano 2000. Do velho 401, como o que está exposto na loja da Peugeot na Avenida Champs-Élysées, em Paris, foram fabricadas apenas 79 unidades. Do novo modelo, a expectativa da Peugeot é emplacar em torno de 25 mil unidades a cada ano.
O 308 CC teve um significativo ganho de recursos e de requintes. Como o sistema de comunicação, que se concentra na tela retrátil de 7 polegadas na parte superior do painel. Por ali, se visualiza os controles do som, do Bluetooth para celular e do GPS. Logo abaixo, fica a disqueteira e, na sequência, o controle do sofisticado sistema de ar-condicionado. Ele tem um sistema de ventilação capaz de formar uma cortina de ar e proteger o habitáculo da temperatura externa. O sistema proporciona agradáveis passeios a céu aberto, mesmo em dias muito quentes ou muito frios.
Um dos pontos altos do novo Peugeot é o desenho. Na frente, o capô parece conduzido pelos longos conjuntos óticos para se derramar sobre a grade, que embute o para-choque. De perfil, a frente em cunha, o teto em parábola acentuada e a traseira levemente abaulada transmitem a sensação de velocidade. O design interno segue o bom-gosto típico dos projetistas da marca francesa. Saídas de ar, maçanetas, puxadores da porta e anéis em torno dos instrumentos, com fundo branco, são cromados. No modelo testado, revestimento e carroceria vinham na elegante combinação de couro vinho e pintura branco perolizado.
A Peugeot buscou aprimorar também o comportamento dinâmico e a segurança de seu novo modelo. E já teve como resultado a nota máxima, de cinco estrelas, no EuroNCAP – entidade europeia que testa a segurança dos automóveis. Em relação ao 307, este 308 ganhou cerca de 10% de rigidez torcional. A montadora ainda conseguiu instalar seis airbags no conversível. Além dos frontais e laterais, comuns aos coupé-cabriolets europeus, um pequeno airbag se expande a partir da lateral do apoio de cabeça. Além disso, estão lá ABS, ESP e um sistema que prepara o veículo para a iminência de um capotamento. Nesse caso, arcos de alumínio são projetados, em menos de 20 milésimos de segundo, a partir do apoio de cabeça dos quatro bancos.
Na Europa, o modelo pode receber o motor 1.6 a gasolina desenvolvido em conjunto com a BMW. Este propulsor, inclusive, está em fase de homologação no Brasil para ser aplicado a modelo importados por aqui. Ele pode render três níveis diferentes de potência. Aspirado chega a 120 cv com câmbio de cinco marchas. Com turbo de baixa pressão, para o uso de caixa automática de quatro velocidades, vai a 140 cv. Com turbo de alta pressão, com transmissão manual de seis marchas, alcança 150 cv. As configurações diesel são três também: para câmbio manual de seis marchas, uma 1.6 de 110 cv e uma 2.0 com 140 cv. Este mesmo propulsor, com 136 cv, é usado na versão automática.

Primeiras impressões
Cabelos ao vento

Definitivamente, o 308 CC é contraindicado para tímidos. Mesmo que os olhares sejam dirigidos ao carro, não há como evitar a sensação de estar numa vitrine. E, de certa forma, o 308 CC funciona mesmo como uma vitrine, tanto da tecnologia quanto do design da Peugeot. O modelo testado dispunha do propulsor mais potente da linha, o 1.6 THP – turbo high pressure, ou turbo de alta pressão. São 150 cv gerenciados por um câmbio manual de seis marchas. Mas o que chama a atenção realmente é o torque, de generosos 24,5 kgfm, a apenas 1.400 giros. A tonelada e meia do 308 CC nem parece pesar nas costas do propulsor. Ele arranca e retoma com impressionante disposição.
O habitáculo não é dos mais espaçosos. Na verdade, motorista e carona quase vestem o carro. Mas a sensação não é de aperto. A não ser que algum adulto incauto decida acreditar que pode viajar em um dos dois lugares detrás. Para motorista e passageiro, a vida a bordo é bem agradável. Ainda mais com o isolamento de temperatura que a cortina de vento proporciona. Os comandos e regulagens são bem localizados e obedecem à lógica já consagrada pela indústria. O acabamento é também de primeira linha. Os plásticos aparentes são todos de boa qualidade e todo o revestimento é em couro – inclusive partes do painel e das portas.
Como um bom conversível moderno, o 308 CC tem duas personalidades bem marcadas pela posição do teto. Com o teto fechado, há uma melhor distribuição de peso sobre os eixos e maior equilíbrio nas curvas. No modo cabriolet, o aumento de massa sobre o eixo de trás faz com a traseira tente fugir da trajetória na curvas mais acentuadas. Em compensação, é com o teto recolhido que o CC mostra seu lado de carro de passeio, quando não há pressa para se chegar onde quer que seja. É, de fato, o lado "dolce vita" do carro da Peugeot.

Ficha técnica
Peugeot 308 CC 1.6 THP

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote com tempo de abertura de válvulas variável. Turbocompressor, intercooler, injeção direta e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual com seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 150 cv a 5.800 rpm.
Torque máximo: 24,4 kgfm a 1.400 rpm.
Diâmetro e curso: 77 mm x 85,8 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson invertido, com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos. Traseira semi-independente, com travessa deformável, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos. Oferece programa eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na frente a sólidos atrás. Oferece ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência.
Carroceria: Conversível em monobloco, com duas portas e quatro lugares. 4,40 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,42 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal, laterais e de cabeça.
Peso: 1.512 kg em ordem de marcha com 428 kg de carga máxima.
Capacidade do porta-malas: 465 litros com o teto erguido/266 litros com o teto recolhido.
Tanque de combustível: 60 litros.


Dacia Sandero Stepway
Honda Insight
Renault Kangoo Be Bop

Radar, por Augusto Paladino - Fotos do Dacia Sandero Stepway, do híbrido Honda Insight e Renault Kangoo Be Bop: Divulgação.

Tipo exportação
A moda brasileira de trilheiros urbanos está na Europa. Durante o Salão de Barcelona, que está aberto ao público até o dia 17 de maio, a Dacia – subsidiária romena da Renault –, mostra o Sandero Stepway. O veículo, que é vendido no Brasil e na Argentina, acompanha o incremento visual desenvolvido no centro de design da marca em São Paulo, com estribos nas laterais, rodas de aro 16, bagageiro na capota e faróis com máscaras negras. A diferença em relação à versão vendida abaixo do equador está na grade dianteira. O Stepway europeu terá dois propulsores: um de 1.6 de 92 cavalos a gasolina e outro 1.5 diesel de 71 cavalos. As vendas devem começar em setembro, mas os valores não foram divulgados.

O futuro está carregado
Para quem acredita que os carros elétricos ainda são ficção científica, a lista dos mais vendidos no Japão mostra o contrário. Em abril, o Honda Insight foi o carro que teve a maior comercialização naquele país. Foram emplacadas 10.481 unidades do Insight, que respondem por 25% das vendas da montadora, segundo dados da Associação dos Revendedores de Automóveis do Japão. No primeiro mês de comercialização, em fevereiro, a Honda vendeu 4.096 unidades e em março foram 4.088. O híbrido usa um motor 1.3 litro de quatro cilindros em linha a gasolina com 88 cv de potência, que trabalha em conjunto com uma unidade elétrica de 13,6 cv.

Protótipo chocante
E por falar em eletricidade, a Renault também avança por este universo e apresenta o protótipo Kangoo Be Bop ZE. A unidade de força tem 60 cv que leva que leva o Kangoo à máxima de 130 km/h. A energia é fornecida por uma bateria de íons de lítio e gera uma autonomia próxima dos 100 km. O desafio do veículo é o mesmo dos demais modelos elétricos: o tempo de recarga. Para ter força máxima, o “abastecimento” numa tomada doméstica demora cerca entre 6 e 8 horas. Já em uma tomada de 400 V trifásica, 80% da bateria pode ser carregado em 30 minutos.

Antes da hora H
O plano de investir em carros movidos a hidrogênio nos Estados Unidos vai deixar de ser futuro e ir direto para o passado. Pelo menos se depender do governo do presidente Barack Obama, que colocou fim ao programa de desenvolvimento de veículos movido a hidrogênio. A justificativa é que seria inviável o desenvolvimento de uma rede de abastecimento e de logística para o transporte do combustível. O programa de pesquisa norte-americano foi criado no governo George Bush e previa investimentos da ordem de US$ 1,2 bilhão, aproximadamente R$ 2,48 bilhões.

Desfecho final
A novela da venda da Volvo parece chegar a um desfecho. Depois do fim das negociações das marcas Aston Martin, Jaguar e Land Rover, a Ford parece estar próxima a concluir as negociações envolvendo a montadora sueca. Cinco empresas estão na disputa e aposta do mercado é que a aquisição será feita por um comprador da China. A Geely Auto é tida com uma das principais empresas nas conversações. O maior interesse dos chineses na aquisição da Volvo está nas prestigiadas tecnologias de segurança veicular desenvolvidas pela marca. A imprensa europeia especula que o nome da compradora seja revelado até o fim deste mês.

Falha no desembarque
A versão mais recente do Camaro chegou em abril nos Estados Unidos e já enfrenta problemas: a montadora anunciou um recall para o bólido. O problema está nos cabos da bateria, que podem se desgastar ao entrar em contato com o motor de arranque e causar falhas na ignição ou impedir o funcionamento do motor. Os 300 modelos vendidos até o momento terão de passar por reparos. A General Motors também fará ajustes nos carros que não foram vendidos.

Foco oriental
Com a crise, nenhuma marca está tão em voga nas manchetes quanto a GM. A todo momento uma nova especulação está nas páginas dos jornais do mundo inteiro. Uma das mais recentes afirma que o grupo norte-americano pode focar sua produção na China, visando a fórmula "low-cost" do país. O objetivo é diminuir despesas e aumentar a base de sustentabilidade de algumas marcas. A produção começaria pequena no primeiro ano, com cerca de 17 mil unidades, e chegaria a 51 mil automóveis em 2014. Ainda não se sabe quais são modelos a ser fabricados na China, mas a Buick – uma das marcas subsidiárias da GM que já está instalada em território chinês – deve reunir o maior número de lançamentos, uma vez que é já bem conhecida por lá.

Japonesas na corda bamba
Os balanços anuais divulgados por Nissan e Toyota mostram que a crise econômica atingiu em cheio as marcas japonesas desde o fim de 2008. A Nissan, terceira maior montadora do Japão, registrou seu maior prejuízo em uma década e o primeiro sob o comando do brasileiro Carlos Ghosn, CEO do grupo Renault-Nissan. O desfalque líquido no balanço 2008-2009 foi de 233,7 bilhões de ienes, o equivalente a quase R$ 5 bilhões. Já a conterrânea Toyota amargou um déficit ainda maior, de US$ 4,4 bilhões ou aproximadamente R$ 9 bilhões. E a previsão para 2009 é das piores, com uma retração de até US$ 5,5 bilhões ou R$ 12 bilhões. Para completar, a Toyota ainda corre o risco de perder o posto de maior montadora do mundo para a Volkswagen.

Downsizing em pauta
As alemãs BMW e Volkswagen trabalham atualmente no desenvolvimento de uma nova geração de motores de três cilindros, que poderão equipar os modelos de entrada das marcas nos próximos anos. A iniciativa vem na "garupa" da nova tendência do downsizing, com motores compactos sobrealimentados por turbocompressores que consomem bem menos combustível e, consequentemente, emitem menos gases poluentes. De acordo com o engenheiro Ulrich Hackenberg, responsável pelas pesquisas na Volks, a ideia é utilizar o novo propulsor no hatch médio Golf VI, associado à tecnologia híbrida TwinDrive, em que a unidade de força de três cilindros a gasolina trabalharia em conjunto com um motor elétrico. Já no caso da BMW, o propulsor tricilíndrico equiparia a nova geração do hatch médio Série 1.

Na contramão
Apesar da crise econômica mundial, a maré anda favorável para a Audi em alguns mercados. A marca das quatro argolas registrou um ligeiro crescimento nas vendas de abril, alcançando o posto de campeã de vendas entre as marca de luxo na Europa. Com uma participação de 4,7% no mercado europeu, a montadora alemã controlada pelo Grupo Volkswagen superou as conterrâneas BMW e Mercedes-Benz. Já na Itália, as vendas da Audi subiram 7,4%, enquanto na Suíça os emplacamentos aumentaram em 14,2%. Mas a maior ascensão foi na Áustria, onde a fabricante viu a saída de seus modelos quase dobrarem, com 42% a mais. No Brasil, a Audi também registrou excelente resultado no último mês, com 200 veículos comercializados, consideráveis 36% a mais que o volume de março.


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